
Ás vezes eu queria ser…
Louca.
Mas não uma louca qualquer dessas que andam por aí com os cabelos esfoaçantes e olhar psicótico… Tampouco aquelas que saem gritando pela rua com amigos imaginários ou predizendo catástrofes…
Eu queria ser daquelas doidas capazes de destruir a vida de um homem. Aquelas que não tem nada a perder e jogam tudo, paixão, ódio, vingança em cima de um único e pobre mortal…
Eu queria fingir que era normal até conquistar minha vítima e depois o faria enlouquecer lentamente. Iria envenenar sua mente aos poucos. E passaríamos a ter uma conexão doentia e aparentemente feliz. Tadinho, ele nem saberia o que aconteceu…
E depois iria torturá-lo com os mesmos sentimentos, dores e inconstâncias que eu tenho dentro de mim e que me torturaram a vida toda.
E quando finalmente me cansasse, procuraria outro...
E ás vezes eu queria ser má…
Daquelas que não tem peso na consciência por nada… Que não sente culpa das coisas que faz ou que não faz.
E ser inconsequente… Fazer tudo o que der vontade, a hora que der vontade e apenas pensando no meu próprio umbigo…
Ser aquele tipo de pessoa fdp que ninguém perdoa ou releva tentando entender o porquê dela ser fdp…
Ser má apenas por ser cruel… Ser cruel apenas por ser sádica… Ser sádica apenas por diversão...
Outras vezes eu queria ser burra e superficial (conversa da hora do almoço)...
Não ter crises, neuroses, crises das neuroses e neuroses das crises…
Viver em um mundo de historinhas e mentiras e nunca querer descobrir a verdade de tudo.
Ter o vazio gigante que existe dentro de mim preenchido pela ignorância e consumismo...
Ai ai...
Ás vezes o que eu mais queria era ser uma mulher de plástico com coração de pedra e cérebro de merda...